Os rios transbordam sempre que as chuvas forem muito intensas.
Normalmente um rio, ou mesmo um pequeno córrego, escoa por um canal natural que é suficiente para transportar apenas uma pequena quantidade de água durante o tempo todo.
Quando ocorrem chuvas contínuas por longos períodos de tempo, aquele canal que é alimentado por estas chuvas pode transbordar, passando a ocupar uma faixa lateral ao canal. Esta faixa tem o nome de várzea ou zona de inundação natural. Ainda hoje, muitos campos de futebol são feitos nas várzeas de rios; é o futebol de várzea.
Muito antes que os homens construíssem as primeiras cidades, os rios inundavam suas margens durante a época das chuvas.
Na época das chuvas do norte, as terras baixas ou várzeas são completamente inundadas. Neste período as águas do rio Amazonas e seus afluentes misturam-se as águas dos igarapés de várzea, que somem, e transformam boa parte da Amazônia num imenso alagado.
Nos meses de agosto a novembro, o nível do rio baixa, deixando água e animais aquáticos aprisionados em suas partes mais fundas e fazendo ressurgir lagos e igarapés.
A várzea é muito rica em vidas. As águas dos lagos da várzea normalmente apresentam-se barrentas, escuras, cheias de peixes e muito procuradas por aves e mamíferos. Os igarapés fazem a ligação entre os rios e lagos.
Várzea e igapó, ambos são ecossistemas amazônicos que sofrem ação das águas. Em outras palavras, esses sistemas naturais são inundados periodicamente pela águas do rios durante a estação úmida (chuvosa).
Então, qual é a diferença entre uma várzea e um igapó?
A diferença básica reside no tipo de rio que provoca a inundação desses ecossistemas. Se o rio é um rio de água branca, o ecossistema é uma várzea. Do contrário, se o rio for de água preta, o ecossistema é denominado igapó.
Para entender melhor, um rio é chamado de “água branca” na região amazônica quando carrega bastante sedimentos (terra). Por essa razão, a cor da água se torna esbranquiçada. É o caso do rio Solimões que nasce nos Andes, uma região muito montanhosa em que o processo erosivo ocorre freqüentemente adicionando grande quantidade de terra às águas que drenam esses terrenos.
Por outro lado, um rio é chamado de “água preta” ou “água escura”, quando sua água apresenta alto teor de material orgânico dissolvido que confere essa cor escura à água. É o caso do rio Negro. Isso ocorre porque as águas drenam regiões de solos muito arenosos que são permeáveis a água e não retém alta quantia de matéria orgânica devido ao baixo teor de argila.
Portanto, como pode-se notar, os ecossistemas que são inundados pelas águas do rio Solimões e seus afluentes, são chamados de várzeas. Já aquele que se tornam imersos pelas águas do rio Negro e seus afluentes são chamados de igapós.
A choquinha-da-várzea mede 10 cm de comprimento. Macho e fêmea apresentam barras claras nas asas, sem qualquer vestígio de áreas negras ou marrom-escuras nas mesmas.
Ocupa os estratos médios e baixo das matas de várzea e de igapó e as formações ripárias ribeirinhas em ilhas fluviais.
Ocorre em ilhas fluviais dos principais rios da Amazônia centro-ocidental.
O papagaio-da-várzea chega a medir até 35 cm de comprimento. Representante setentrional, verde de fronte e loros ferrugíneo e sangüineo-escuros, tendo atrás dos olhos um pouco de azul; baixo dorso vermelho, caráter excepcional no gênero Amazona e que atrai durante o vôo, tal mancha falta no imaturo.
Habita florestas úmidas, pântanos, inundados permanentes, florestas de galeria, até 500 m. Tem preferência pela proximidade com a água. Vivem em casais, ou também em bandos familiares. Tem como principal predador as serpentes, as aves de rapinas e felinos como jaguatiricas e jaguarundis.
Da Colômbia até o leste de Peru, nas bacias do baixo e médio Orinoco, e alta e média Amazônica.
O guarda-várzea mede cerca de 11 cm de comprimento. O macho apresenta a garganta de cor preta, a qual é branca, com apenas uma estria lateral preta, na fêmea.
É raro. Habita o sub-bosque de florestas de várzea, geralmente próximo a igarapés. Vive aos pares.
Presente localmente na Amazônia brasileira, tanto ao norte do Rio Amazonas (na região dos rios Negro e Branco) quanto ao sul, do Acre ao Rio Xingu (Pará). Encontrado também em alguns locais da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Guiana Francesa.
O picapauzinho-da-varzea mede 8 cm de comprimento.
Endemismo típico das matas de várzea e das ilhas fluviais do Baixo Amazonas, entre os Rios Negro e Trombetas. Pouco se sabe sobre seus hábitos e comportamentos.
Presente nos estados do Pará e Amazonas.
O tapaculo-da-varzea mede 12.5 cm e pesa cerca de 12g. Apresenta plumagem preta no dorso e cinza no ventre. O canto consiste na repetição de uma única nota por até onze minutos.
A espécie habita vegetação de planícies aluviais mais próximo ao solo, escala talos e arbustos para cima e para baixo.
Ocorre nos estados do Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais(na Serra do Cipó, Serra do Caraça e Serra da Canastra).
O verdinho-da-várzea mede 11 centímetros.
Espécie muito vocal, que vive no estrato superior de matas alagadas e ribeirinhas da Amazônia. Acompanha bandos mistos.
Ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins.